Análise crítica à acupuntura ou acupunctura

Acupuntura – 4º Parte – Evidência Científica

admin Acupuntura, Geral Leave a Comment

Depois do contexto histórico, dos mecanismos fisiológicos e de explicada a forma como a OMS e a NIH deram o seu aval a este tipo de pseudociência, vamos avaliar a evidência existente sobre acupuntura, particularmente na área da dor.

Se formos ao site da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre acupuntura, encontramos 28 condições para as quais a acupuntura demonstrou ser eficaz, como a depressão, leucopenia (baixa de glóbulos brancos), correção do posicionamento do feto na mulher grávida, acidente vascular cerebral e artrite reumatóide…

Encontramos também 63 outras patologias para as quais a acupuntura é supostamente eficaz, mas necessita de mais evidência científica. Coisas tão giras como dependência alcoólica, tabágica, cocaína, heroína e ópio; acne, traumatismo crânio-encefálico, tratamento da hepatite B, disfunção sexual masculina não orgânica, síndrome do ovário poliquístico, esquizofrenia, síndrome de Sjögren, demência vascular e tosse convulsa.

Selecionei as mais disparatadas porque, de facto, é um disparate uma instituição como a OMS apoiar a acupuntura para este tipo de patologias. Como falamos antes, isto acontece porque a literatura científica na área da acupuntura sofre de um grave viés de publicação favorável à mesma, já que 99% dos estudos que vêm da China mostram que a acupuntura é positiva (artigo e artigo). Nem vale a pena fazer estudos de acupuntura na China. Já sabemos que será positivo. Poupem o dinheiro.

Dito isto, navegar neste mundo de desinformação torna-se complicado. Honestamente apoio a posição de Edzard Ernst. Todos os estudos chineses nesta área deveriam ser ignorados pelo bem da transparência científica. Infelizmente, isso não acontece. E como tal, quando procuramos evidência sobre a eficácia da acupuntura, não faltam estudos e mesmo algumas revisões que comprovam que a acupuntura é a melhor coisinha que aconteceu à medicina desde a invenção dos antibióticos. Mas quando se aumenta a fasquia na qualidade dos estudos, isso já não é bem assim. Deixo uma imagem exemplificativa:

evidencia sobre acupuntura

Evidência científica sobre acupuntura – estudos Cochrane

A Colaboração Cochrane é uma organização sem fins lucrativos, independente, que faz revisões sistemáticas e meta-análises sobre os mais variados temas na área da saúde. Dada a tipologia desta instituição, tem conseguido manter-se relativamente independente nas conclusões que apresenta seja relativamente à acupuntura, seja relativamente a outro tipo de tratamentos.

Não é perfeita, mas é do melhor que temos. Além disso, convém notar que a Cochrane baseia-se na evidência disponível para retirar conclusões sobre a eficácia dos tratamentos. E quando a evidência é fraca, as conclusões não poderão ser melhores. Diz a expressão inglesa “garbage in, garbage out“…se entra lixo, sai lixo.

Analisando todos os estudos publicados sobre acupuntura (tem um quadro no fim com todos os resultados), a Cochrane apresenta 13 resultados em que não aconselha a acupuntura de acordo com a evidência existente; 30 resultados em que a evidência é inconclusiva; 5 resultados em que a evidência é favorável à acupuntura (e estou a ser amigo):

  • Tratamento da artrose – A acupuntura verdadeira foi superior à acupuntura falsa. No entanto, os benefícios encontrados eram pequenos, não atingiram os patamares de diminuição de dor definidos para ser clinicamente relevante. As diferenças serão, possivelmente, devido erros metodológicos associados à ocultação incompleta;
  • Prevenção das enxaquecas – A evidência disponível sugere que adicionar acupuntura ao tratamento sintomático reduz a frequência de enxaquecas. Ao contrário das conclusões anteriores, parece existir um pequeno efeito superior da acupuntura verdadeira em comparação com a falsa acupuntura. A evidência também sugere que a acupuntura poderá ter uma eficácia semelhante ao tratamento farmacológico profilático (medicação que impede que as crises surjam);
  • Tratamento de cefaleias de  tensão – A evidência disponível sugere que a acupuntura é eficaz no tratamento de cefaleias de tensão episódica ou crónica;
  • Acupuntura ou acupressão para a dor de parto  – poderão ter um papel na redução da dor, aumentar a satisfação na gestão da dor e reduzir a utilização de fármacos. No entanto, são necessários mais estudos.
  • Acupuntura no punho para prevenir náusea e vómitos após uma operação – A estimulação do ponto P6 parece ser superior ao placebo (evidência de baixa qualidade). No entanto, a eficácia parece ser semelhante aos antieméticos (evidência de moderada qualidade).

Primeiro, estes resultados são contraditórios relativamente à posição da OMS, correto? Uma instituição que só não diz que a acupuntura ressuscita mortos. Não é que não se tenha falado disso

Se avaliarmos os cinco componentes acima, percebemos que quatro são relacionados com a dor e um é relacionado com náuseas e vómitos pós-operatórios. E nenhum valida o tratamento de infertilidade, certo? Lembre-se disso quando o Pedro Choy for à RTP1 espetar agulhinhas em pessoas para lhes tratar a infertilidade. Algo que nos devia envergonhar a todos.

Nesse caso, faz sentido avaliarmos de forma mais aprofundada a dor, já que é o ganha-pão dos acupuntores e a sua imagem de marca.

Evidência sobre a utilização da acupuntura no tratamento da dor

Em 2006 foi publicada uma revisão sistemática de revisões sistemáticas referentes a todas as revisões publicadas entre 1996 e 2005, referindo que “não fornecem evidências sólidas de que a acupuntura funcione para qualquer indicação.” 

Não foi a primeira vez que se chegou a estas conclusões…nem a última. No início de 2009, o British Medical Journal publicou uma análise no tratamento da dor, com resultados desencorajadores:

“Foi encontrado um pequeno efeito analgésico da acupuntura, o que parece não ter relevância clínica e não pode ser claramente distinguido de vieses. Se a agulha nos pontos de acupuntura ou em qualquer local reduz a dor de forma independente do impacto psicológico do ritual terapêutico, tal não está claro.”

Em 2011,a revista Pain publicou um rigoroso estudo e um duro golpe científico à acupuntura, concluindo que há “poucas evidências verdadeiramente convincentes de que a acupuntura é efetiva na redução da dor” ou qualquer outra coisa. Em 2016, a acupuntura foi oficialmente retirada das diretrizes da NICE  para o tratamento da dor lombar, com a recomendação de “não oferecer”.

Quanto à artrose do joelho, um problema de dor comum e um alvo tão bom para os acupuntores como qualquer outro, foi declarado inútil pela Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos. Referem que a força de recomendação é “forte” e que se baseia na “falta de eficácia“. 

Mesmo os “amigos da acupuntura” admitiram que não funciona para lá do placebo mas, de forma inteligente, habitualmente transformam uma má notícia numa boa notícia.  Por exemplo, o badalado artigo publicado no The New England Journal of Medicine: autores pró-acupuntura reconheceram claramente que a “acupuntura simulada era tão efetiva quanto a acupuntura real“- resultados que seriam considerados um falhanço se de fármacos falássemos. No entanto, para os autores este estudo foi um sucesso, concluindo pela efetividade da acupuntura.   

Em 2009, os especialistas em dor lombar Cherkin e Deyo fizeram o mesmo, relatando resultados bastante decepcionantes...provando, aliás, que o local da inserção da agulha era completamente indiferente para a obtenção de “efeitos terapêuticos”. No entanto, os autores deram umas voltas ao texto, de tal forma que o artigo parecia trazer boas notícias para os praticantes de acupuntura.

Depois temos o caso muito popular da meta-análise de Vickers em 2012. Um dos grandes argumentos científicos dos acupuntores, referindo que a acupuntura verdadeira era superior à acupuntura simulada no tratamento da dor crónica. No entanto, uma análise mais detalhada ao artigo transforma-o, segundo Edzard Earnst, num dos “argumentos mais relevantes da clara ineficácia da acupuntura no tratamento da dor crónica”. E porquê? Deixo a explicação de Edzard Earnst:

“Uma equipa internacional de investigadores de acupuntura publicou uma meta-análise de dados de pacientes individuais para determinar o efeito analgésico da acupuntura em comparação com acupuntura-placebo ou com doentes não submetidos a acupuntura. Avaliaram as seguintes patologias crónicas: dores lombares e cervicais, osteoartrose, cefaleias e dor de ombro. Foram incluídos dados de 29 RCTs, com um total impressionante de 17.922 doentes. Os resultados desta nova avaliação sugerem que a acupuntura é superior à acupuntura-placebo e aos controlos que não receberam tratamento para as patologias investigadas.

Os doentes que receberam acupuntura tiveram menos dor, com 0,23 (IC 95%, 0,13-0,33), 0,16 (IC 95%, 0,07-0,25) e 0,15 (IC 95%, 0,07-0,24) pontos inferior à acupuntura-placebo para a dor lombar e cervical, osteoartrose e dor de cabeça, respectivamente; os tamanhos do efeito relativamente aos controlos que não receberam acupuntura foram de 0,55 (IC 95%, 0,51-0,58), 0,57 (IC 95%, 0,50-0,64) e 0,42 (IC 95%, 0,37-0,46) pontos abaixo.

Com base nestes resultados, os autores chegaram à conclusão de que: “a acupuntura é efetiva para o tratamento da dor crónica e, portanto, é uma opção razoável de tratamento. Diferenças significativas entre a acupuntura verdadeira e a acupuntura simulada indicam que a acupuntura é mais do que um placebo. No entanto, essas diferenças são relativamente modestas, sugerindo que fatores além dos efeitos específicos da agulha são contribuintes importantes para os efeitos terapêuticos da acupuntura “. 

Poucas horas depois da sua publicação, esta meta-análise foi celebrada pelos crentes na acupuntura como a evidência mais forte sobre a eficácia da acupuntura sobre o placebo. Grande parte da imprensa leiga seguiu a mesma veia acrítica. Os autores da meta-análise, a maioria dos quais conhecidos entusiastas da acupuntura, pareciam totalmente convencidos de que forneceram a prova mais convincente até à data da eficácia da acupuntura. Mas estarão eles corretos ou serão vítimas da sua própria devoção a essa terapia?

Talvez uma visão mais céptica seja útil – afinal, até mesmo os autores entusiastas deste artigo admitem que, quando comparado a acupuntura simulada, o tamanho do efeito da acupuntura real é muito pequeno para ser clinicamente relevante. Portanto, pode-se argumentar que esta meta-análise confirma o que os críticos tem dito ao longo do tempo: a acupuntura não é um tratamento útil para a prática clínica.

Não é surpreendente que os autores da meta-análise tenham feito o seu melhor para minimizar esse aspeto. Eles argumentam que, para a prática clínica, a comparação entre as pessoas que não recebem acupuntura e as que recebem é a comparação mais relevante. Mas esta comparação, claro, inclui o placebo e outros efeitos não específicos, mascarados como efeitos da acupuntura – e com este pequeno truque (que de certo modo é muito popular na medicina alternativa) podemos mostrar que mesmo os comprimidos de açúcar são eficazes.

Não duvido que os efeitos de contexto sejam importantes no atendimento ao paciente; No entanto, duvido que seja necessário um objeto placebo para gerar tal benefício nos nossos doentes. Se administrarmos tratamentos que sejam eficazes além do placebo com gentileza, tempo, compaixão e empatia, os doentes beneficiarão de efeitos específicos e não específicos do tratamento. Por outras palavras, gerar efeitos não específicos recorrendo à acupuntura está longe de ser o ideal e, certamente, não é do interesse dos nossos doentes. Na minha opinião, não pode ser considerado como uma boa medicina. A conclusão dos autores considerando uma “opção de razoável de tratamento” é mais do que um pouco surpreendente.

Os fãs da acupuntura podem argumentar que, no máximo dos máximos, esta nova meta-análise demonstra que a acupuntura tem um efeito estatisticamente significativo quando comparado com um placebo. No entanto, não estou convencido de que essa noção tenha bases sólidas: o pequeno efeito residual na comparação com a acupuntura simulada pode não ser o resultado de um efeito específico da acupuntura; poderia ser (e provavelmente é) devido ao viés residual nos estudos analisados. A meta-análise é fortemente impulsionada por grandes ensaios alemães que, por boas razões, foram frequentemente e fortemente criticados quando publicados pela primeira vez. Uma das principais desvantagens potenciais foi que uma boa parte dos participantes não estavam sujeitos a ocultação devido a uma significativa cobertura da comunicação social quando o estudo ainda estava a ser conduzido. Além disso, em todos os ensaios o terapeuta sabia quando estava a administrar a acupuntura verdadeira e simulada. Assim, é provável que ausência desta dupla ocultação tenha influenciado os resultados destes estudos, gerando falsos positivos. Como os estudos alemães constituem, de longe, o maior volume de doentes na meta-análise, qualquer uma das suas falhas teria um forte impacto no resultado geral da mesma.

Então, esta meta-análise finalmente resolveu a questão de décadas sobre a eficácia da acupuntura? Talvez não tenha resolvido, mas certamente nos aproximamos de um resultado final, especialmente se empregarmos as nossas faculdades de pensamento crítico. Na minha opinião, esta meta-análise é a evidência mais convincente que temos para demonstrar a ineficácia da acupuntura para a dor crónica.”

Mas há uma fonte que é a mais condenatória de todas…a National Center for Complementary and Integrative Health (NCCAM), uma grande organização financiada pelos contribuintes americanos para pesquisar medicinas alternativas, continua a investigar a acupuntura mesmo após muitos dos seus estudos terem concluído que não funciona melhor do que um placebo. Se o NCCAM não diz que a acupuntura funciona…quem dirá? As suas palavras sábias:

“Embora milhões de americanos usem acupuntura todos os anos, muitas vezes por dor crónica, existe uma controvérsia considerável em torno de seu valor como terapia e se é algo mais que um placebo.”

Todas essas evidências estão em contraste com o que a maioria das pessoas acredita sobre a acupuntura. As pessoas realmente pensam que a ciência apoia a acupuntura. Isso simplesmente não é o caso. O que realmente não é surpreendente, porque estamos a falar de um sistema de cura que se baseia em energias: uma suposta “energia” dentro e ao redor do corpo que ninguém conseguiu, até hoje, detetar.

Avaliando o estudo da Cochrane para a cefaleia de tensão

Como vimos, a Cochrane indica a acupuntura como um tratamento válido para a cefaleia de tensão…supostamente. No entanto, como falamos, os estudos da Cochrane são estudos de revisão. E estudos de revisão analisam um série de estudos científicos, agregam-nos, fazem uma análise estatística após a qual sai o resultado (de forma simplificada). E se entra lixo no estudo, sairá invariavelmente lixo nas conclusões. Se os estudos avaliados forem maus, os resultados não poderão ser melhores. É o caso desta revisão.

A revisão incluiu seis estudos, que não é um número muito grande. A maioria dos estudos tinham uma amostra pequena. Como referem os autores:

Os resultados foram dominados por um grande estudo de boa qualidade (com cerca de 400 participantes), que mostrou que o efeito da acupuntura verdadeira ainda estava presente após seis meses.”

Portanto, as conclusões dos autores da revisão são baseados num estudo que foi conduzido na Alemanha (lembrem-se do que falamos antes sobre os estudos alemães…). Se virmos esse estudo em particular, a primeira coisa que se nota imediatamente é que não há dupla-ocultação doente-acupuntor. O acupuntor sabia a quem estava a “administrar” a acupuntura verdadeira e a acupuntura simulada ou placebo. E isto é uma falha grave que compromete todo o estudo. Em estudos anteriores, quando a interação entre o acupuntor e o doente foi controlada, uma interação mais positiva foi associada a um melhor resultado. Na verdade, era a única variável que previa o resultado. Ou seja, este fator confundidor mina toda a credibilidade do estudo.

No estudo alemão, os doentes estiveram cerca de 8,8 minutos com o acupunturista na acupuntura verdadeira e 7,8 minutos para na acupuntura simulada. Havia também menos inserções de agulhas por sessão (16,5 vs 14,6). Além disso – outra falha fatal – as agulhas na acupuntura verdadeira foram colocadas na cabeça…na acupuntura simulada não. A localização da agulha perto do local da dor poderá contribuir para uma maior resposta ao placebo.

Resumindo, não havia ocultação dos dois grupos e as intervenções não foram semelhantes, o que terá levado a uma maior resposta ao placebo no grupo submetido à acupuntura verdadeira.

Apesar de tudo isso, o resultado primário foi negativo. Isso mesmo, este foi um estudo negativo. Pode ler outra vez…negativo. O grupo submetido a acupuntura verdadeira atingiu uma redução de 50% nas dores de cabeça 33% das vezes, enquanto o grupo submetido a acupuntura simulada atingiu os mesmos resultados em 27% das vezes – esta foi uma pequena diferença e não era estatisticamente significativa. Alguns mas não todos os resultados secundários foram superiores no grupo submetido a acupuntura verdadeira, mas novamente o tamanho do efeito foi pequeno e os investigadores não fizeram os ajustes necessários para proceder a comparações múltiplas.

Estes resultados pequenos e pouco impressionantes são facilmente obtidos devido à falta de rigor do estudo, especificamente a falta de ocultação dos acupuntores e às diferenças de tratamento entre os dois grupos. Este estudo de baixa qualidade e essencialmente negativo “dominou” a evidência na revisão sistemática da Cochrane. Essencialmente, o que eles fizeram foi adicionar alguns ensaios menores para aumentar a linha para significância estatística, mas isso não faz com que os resultados fiquem mais atraentes.

E na prevenção da enxaqueca?

Tanto a revisão da Cochrane como um estudo recente da JAMA referem um papel importante da acupuntura como opção terapêutica. Mas quando vamos aos detalhes, uma imagem diferente salta à vista. No caso do estudo da JAMA, é realizado na China. Portanto, da minha parte, fecho aqui a sua avaliação tendo em consideração todo o historial chinês na produção e invenção de evidência científica que vá de encontro aos seus interesses. De qualquer forma, aconselho a análise detalhada do estudo do Steve Novella e do Edzard Earnst.

E quando vamos ao estudo da Cochrane, as coisas não melhoram. Aliás, é uma mistura de tudo o que há de grave e que falamos anteriormente. Aceitação de estudos chineses e a inclusão dos estudos alemães com as limitações descritas anteriormente (sobretudo, a clara falta de ocultação). Para além destes problemas também incluíram estudos com eletroacupuntura, o que não é bem a mesma coisa e que pode servir como um fator confundidor (deixaremos para outro artigo).

Conclusão

O padrão de evidência clínica para a acupuntura é relativamente consistente. Em geral, a qualidade dos estudos é moderada a baixa; Os resultados geralmente mostram efeitos clínicos pequenos com significância estatística marginal, resultantes de ensaios que apresentam uma ou mais falhas graves, como a ocultação imprópria e assimetrias entre os grupos de tratamento. Quando se obtém estudos de alta qualidade com dupla ocultação, geralmente mostram o mesmo – não importa onde ou mesmo se se coloca as agulhas…a eficácia ou falta dela é semelhante. O que significa que a acupuntura não funciona.

O ritual que envolve a acupuntura tem um efeito placebo significativo, o que é reforçado pela duração e qualidade da interação com o acupunturista. No entanto, o ato da inserção da agulha parece ser irrelevante (o objeto placebo é desnecessário).

A evidência é clara quando se interpreta a totalidade da literatura de acupuntura de acordo com estes parâmetros. A acupuntura não funciona, para qualquer indicação. Além disso, volto a realçar a falta de qualquer mecanismo plausível. O Chi não é um conceito científico e não há nenhuma razão para concluir que existe. Nem os pontos de acupuntura têm qualquer base na realidade – por isso não importa em que pontos inexistentes se colocam as agulhas para manipular uma força de energia imaginária.

Dito isto, não é de admirar que, quando estudado corretamente, não haja efeito clínico. O que é surpreendente é continuarmos a perder tempo e recursos a bater num cadáver. A continuar a insistir neste beco sem saída, na esperança que algo de novo surja. Após mais de 3000 estudos, porquê a insistência?

E as náuseas e vómitos pós-operatórios…funciona ou não? Não, não funciona. 🙂 

FibromialgiaResultado Negativo Evidência de nível moderado aponta que o efeito da acupuntura verdadeira não é diferente da acupuntura simulada na redução da dor ou da fadiga, ou melhora o sono ou o bem-estar global.
Dores menstruaisResultado Inconclusivo – Não existe evidência suficiente para validar ou não a efetividade da acupuntura ou acupressão no tratamento da dismenorreia primária.
Dor de ombroResultado inconclusivo – Existe pouca evidência que suporte ou refute a utilização da acupuntura na dor de ombro. No entanto, poderá haver algum benefício a curto prazo.
DepressãoResultado Negativo – Evidência insuficiente para recomendar o uso de acupuntura para pessoas com depressão.
EpilepsiaResultado Negativo – A evidência atual não suporta a utilização da acupuntura para o tratamento da epilepsia.
Reabilitação pós-AVCResultado inconclusivo – A evidência existente não permite tirar conclusões sobre a utilização da acupuntura na prática clínica.
EsquizofreniaResultado inconclusivo – Não há evidência suficiente para estabelecer se a acupuntura é benéfica ou prejudicial para pessoas com doenças mentais.
Demência vascularResultado inconclusivo – A eficácia da acupuntura para o tratamento da demência vascular é incerta.
AsmaResultado negativo – Não recomenda de acordo com evidência existente
Dispepsia funcionalResultado inconclusivo – Não há evidência que permita derivar conclusões sobre a eficácia da acupuntura
Paralisia de Bell/nervo facialResultado inconclusivo – A qualidade dos estudos não permite concluir a existência ou ausência de benefício.
AVC em fase agudaResultado inconclusivo – A acupuntura parece segura, mas sem clara existência de benefício.
InsóniaResultado inconclusivo – Não existe evidência para permitir recomendar ou não a utilização de acupuntura.
GlaucomaResultado inconclusivo – Não há informação disponível que permita justificar a utilização de acupuntura.
Fibromas uterinosResultado inconclusivo – A eficácia da acupuntura mantém-se incerta, dada a inexistência de estudos de qualidade.
ArtroseResultado positivo? – A acupuntura verdadeira foi superior à acupuntura falsa. No entanto, os benefícios encontrados eram pequenos, não atingiram os patamares de diminuição de dor definidos para ser clinicamente relevante. As diferenças serão, possivelmente, devido erros metodológicos associados à ocultação incompleta
Tendinite do cotoveloResultado inconclusivo – A evidência é insuficiente para recomendar ou não a utilização da acupuntura no tratamento da epicondilite lateral. A acupuntura poderá ter benefício a curto-prazo, mas não mais de 24 horas.
Sintomas vasomotores da menopausaResultado negativo – sem diferenças relativamente à falsa acupuntura.
Acupuntura auricular para tratamento da dependência da cocaínaResultado inconclusivo – Sem evidência de benefício com a evidência atual.
Síndrome das pernas inquietasResultado inconclusivo – Não há evidência que recomende a utilização de acupuntura para o síndrome de pernas inquietas.
Indução do trabalho de partoResultado inconclusivo – Não há evidência suficiente para recomendar a acupuntura na indução do trabalho de parto.
InfertilidadeResultado negativo – Não há evidência que demonstre que a acupuntura aumento o número de gravidezes ou nascimentos.
Síndrome de ovários poliquísticosResultado negativo – Com a evidência existente, não é possível recomendar a acupuntura para o tratamento do síndrome de ovários poliquísticos.
Parotidite infeciosa (papeira ou caxumba)Resultado inconclusivo – Não existe evidência acerca da eficácia da acupuntura no tratamento de papeira nas crianças.
Dor causada pela endometrioseResultado inconclusivo – a evidência existente é limitada, não permitindo derivar conclusões.
Prevenção das enxaquecasResultado positivo – A evidência disponível sugere que adicionar acupuntura ao tratamento sintomático reduz a frequência de enxaquecas. Ao contrário das conclusões anteriores, parece existir um pequeno efeito superior da acupuntura verdadeira em comparação com a falsa acupuntura. A evidência também sugere que a acupuntura poderá ter uma eficácia semelhante ao tratamento farmacológico profilático.
Síndrome do cólon irritávelResultado negativo – Acupuntura verdadeira não é superior à Acupuntura placebo.
Incontinência urinária de urgênciaResultado inconclusivo – Não existe evidência suficiente para tirar conclusões.
Dor relacionada com o cancro nos adultosResultado inconclusivo –  Não existe evidência suficiente para tirar conclusões.
Deixar de fumar

Resultado inconclusivo – resultado incerto para acupuntura, acupressão e terapia laser.

Resultado negativo – Eletroacupuntura não funciona.

Recém-nascidos com encefalopatia isquémica hipóxicaResultado inconclusivo – Não recomenda de acordo com evidência existente.
Perturbações no espectro do autismoResultado negativo – Não recomenda de acordo com evidência existente.
Disfagia pós-AVCResultado inconclusivo – Não existe evidência suficiente para derivar recomendações.
Cefaleias de tensãoResultado positivo – A evidência disponível sugere que a acupuntura é eficaz no tratamento de cefaleias de tensão episódica ou crónica.
Acupuntura e “dry-needling” para a dor lombar agudaResultado inconclusivo – A informação não permite derivar conclusões firmes sobre a eficácia da acupuntura para a dor lombar aguda. Para a dor lombar crónica, a acupuntura parece ser mais eficaz que nenhum tratamento ou acupuntura placebo, mas apenas no curto prazo. A acupuntura não é mais eficaz que outros tratamentos convencionais ou “alternativos”.
Entorses do tornozeloResultado negativo – Não recomenda de acordo com evidência existente.
Tratamento agudo e reabilitação de traumatismos crânio-encefálicosResultado inconclusivo – Não existe evidência de qualidade que permita recomendar ou não a acupuntura nestas situações.
Acupuntura e tratamentos relacionados para alívio de sintomas associados à doença renal crónicaResultado inconclusivo – A evidência existente não permite recomendar concluir se a acupuntura será ou não um tratamento válido.
Acupuntura e eletroacupuntura para a artrite reumatóide

Resultado inconclusivo – Eletroacupuntura poderá ter efeito, mas a qualidade metodológica dos estudos não permite recomendar.

Resultado negativo – a acupuntura não tem qualquer efeito nos sintomas associados à artrite reumatóide.

Acupuntura ou acupressão para a dor de partoResultado positivo – A acupuntura e acupressão poderão ter um papel na redução da dor, aumentar a satisfação na gestão da dor e reduzir a utilização de fármacos. No entanto, são necessários mais estudos.
Miopia em criançasResultado inconclusivo – Não é possível tirar conclusões de acordo com a evidência disponível.
Crianças e adolescentes com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção Resultado inconclusivo – Não é possível tirar conclusões de acordo com a evidência disponível.
Prevenir náusea e vómitos após uma operaçãoResultado positivo – A estimulação do ponto P6 parece ser superior ao placebo (evidência de baixa qualidade). No entanto, a eficácia da acupuntura parece ser semelhante aos antieméticos (evidência de moderada qualidade).
Enurese noturna nas criançasResultado inconclusivo –  Não é possível tirar conclusões de acordo com a evidência disponível.
Sintomas de boca seca (xerostomia)Resultado negativo – Acupuntura verdadeira igual à Acupuntura placebo
Sensação de vómito durante intervenções dentáriasResultado inconclusivo –  Não é possível tirar conclusões de acordo com a evidência disponível.

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Dr. João Júlio Cerqueira

Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar