Dez Teorias da Conspiração Sobre o Glifosato Num Único Documentário

admin Água, Ambiente, Geral Leave a Comment

Esta publicação é baseada no artigo original de Øystein Heggdal, um agronomista norueguês. Tem um bacharelato em ciência ambiental e recursos naturais. Agora trabalha como jornalista na Norsk Landbruk, uma revista de agricultura norueguesa.  O artigo foi traduzido para inglês e agora para português com a sua autorização. Anders Halvorsen, Liv Langberg e Bernt Førre ajudaram na realização do artigo.

Recentemente o documentário ativista francês “Roundup em Tribunal” passou na RTP1 (serviço público de “qualidade”…).

Isso foi feito dias após a decisão da União Europeia autorizar a utilização do glifosato por mais cinco anos. Øystein Heggdal, o autor deste artigo, foi convidado para o programa que passou o documentário na Noruega para rebatê-lo, mas como não teve duas horas para esclarecer os telespectadores, aqui fica um longo artigo para quem quer mergulhar nas águas enlameadas do ativismo anti-glifosato europeu.

Antes de mais, repita depois de mim: “Não houve nenhum julgamento!“. Em abril de 2017, ativistas anti-transgénicos realizaram um “Tribunal Monsanto”, em Haia. Foi um show de propaganda organizado por Marie-Monique Robin, a senhora que fez o documentário, e a Fundação Internacional para a Agricultura Orgânica, uma organização guarda-chuva para várias associações orgânicas em todo o mundo.

Este tribunal não teve nada a ver com a Tribunal Internacional de Justiça em Haia, não tem nada a ver com o direito internacional e os acordos internacionais. Isso foi uma atuação, um dramatização e um espetáculo organizado.

O acusado neste julgamento de paródia foi, claro, a empresa americana de produtos e sementes agrícolas Monsanto. Porque quem faz plantas geneticamente modificadas e vende pesticidas? Bem, na verdade várias empresas: Bayer, Syngenta e DuPont, mas por algum motivo estranho, é só a Monsanto que é malvada e deve ser arrastada pelo Tribunal de Propaganda. Uma das razões para isso é que a Monsanto inventou o glifosato, ingrediente ativo no popular herbicida Roundup.

A ironia é que a Monsanto é principalmente uma empresa de sementes com uma linha lateral em herbicidas, que representam 15 a 20% das vendas. A maioria dos concorrentes são empresas químicas com margens nas sementes…

O glifosato funciona nas plantas evitando o desenvolvimento de uma enzima necessária para a fotossíntese: EPSP sintase. Sem esta enzima, as plantas não podem crescer e morrem. A enzima é encontrada principalmente em plantas, de modo que o ingrediente ativo do RoundUp tem uma toxicidade muito baixa nos outros organismos vivos. O facto é que 3300 estudos publicados e revistos e todos os órgãos reguladores em todos os países do planeta disseram que o glifosato é um dos herbicidas com menos impacto na saúde humana e animal ou no meio ambiente. Claro, isso não foi enviado ao “Tribunal Monsanto”.

Quando se trata de uso de produtos químicos na agricultura são as emoções e os relatos de caso que muitas vezes ganham o dia

O documentário começa com a mãe e o seu filho doente. A mãe diz-nos que usou o herbicida RoundUp nos cercados quando estava grávida e então deu à luz uma criança com um defeito congénito – uma fístula traqueoesofágica.

A conexão é clara! Exceto que esta é uma das malformações mais comuns no ser humano; um caso por 2500-5.000 nascimentos por ano. Não consigo encontrar nada que indique que a taxa de malformação aumentou nos últimos 40 anos e a primeira vez foi descrita em 1697. Umas centenas de anos antes de começarmos a controlar a erva daninha com glifosato.

As autoridades australianas examinaram a pesquisa sobre a exposição ao glifosato durante a gravidez e lesões de fetos. Descobriram que, em experiências com animais, a dose mais elevada de glifosato sem efeitos nocivos na mãe e no feto era de 300 miligramas/quilo de peso corporal/dia de glifosato. Isso é 1000 vezes maior do que as autoridades australianas estabeleceram como a ingestão diária máxima aceitável. (página 8). Não há possibilidade de que essa mulher tenham atingido tais concentrações no corpo manipulando glifosato ou comendo alimentos com resíduos de glifosato. Para entrar em tais concentrações, talvez seja necessário beber glifosato concentrado.

A epidemia na Argentina

Em seguida, passamos para a Argentina, onde o uso de glifosato aumentou dramaticamente após a introdução de plantas geneticamente modificadas que podem resistir à pulverização com glifosato. E sim, é claro que a agricultura argentina mudou dramaticamente nos últimos 30 anos; eles agora produzem cinco vezes mais soja do que em meados da década de 90 e usam cerca de 10 vezes mais pesticidas.

Mas o que eles não mencionam no documentário é que o glifosato é apenas uma pequena parte dessa história. Na Argentina, eles usam uma ampla gama de substâncias ativas que não podem ser usadas em outros lugares, como clorpirifos, atrazina, 2,4-D e cipermetrina. As normas de saúde e segurança na Argentina não parecem ser um padrão-ouro. O relatório de Pesticidas e Ambientes de Trabalho Agrícolas na Argentina descreve como aqueles que trabalham com pesticidas não foram treinados sobre quais os pesticidas que são perigosos (tipicamente os inseticidas) e quais são menos perigosos (herbicidas). Apenas metade dos aplicadores utilizam tratores com cabines e filtros de ar.

Uma das “testemunhas” da Argentina é o Dr. Damian Verzenazzi que publicou investigações em conjunto com o Dr. Menardo Avila Vazquez durante vários anos. Eles fazem parte de uma rede de médicos chamados “Médicos de pueblos fumigados” que afirma que a frequência de cancro nas crianças triplicou, o número de abortos espontâneos e o número de crianças deformadas quadriplicou nos últimos 20 anos.

Agora, você pode pensar que o bom médico obteve esses números através de algum tipo de estatísticas de saúde pública disponíveis…mas não. Os dados foram baseados em questionários. O Dr. Vasques recebeu uma reprimenda pública do seu departamento há três anos porque enviou 27 estudantes fazer uma pesquisa em 5.000 pessoas no prazo de dois dias úteis, onde perguntavam se as pessoas ou os seus familiares tinham estado doentes recentemente. A faculdade rejeitou a possibilidade de realizar um questionário apropriado dessa escala num período de tempo tão curto. Também consideraram que era irresponsável usar estudantes inexperientes para aplicar tais métodos algo subjetivos. A faculdade declarou que não apoiava nem aceitava as alegações que Vazquez reivindica em nome da universidade.

No ano seguinte, os médicos da rede proclamaram que não era o vírus Zika que levava ao desenvolvimento deficiente das cabeças das crianças (microcefalia), mas que era…o glifosato! E a história assim continua.

Também seria estranho que o glifosato fosse a fonte de um enorme problema de saúde não descoberto na Argentina, já que a mortalidade infantil continuou a diminuir nos anos após a introdução de plantas resistentes ao glifosato. Em contraste, num país com alto consumo de glifosato e alta proporção de soja geneticamente modificada. Recentemente foi publicado um estudo de longo prazo no Journal of the National Cancer Institute, que analisou a relação entre o glifosato e a ocorrência de cancro em pessoas com maior exposição, nomeadamente os agricultores. Com 54.251 participantes inquiridos, é o maior do género de todos os tempos. Não encontraram nenhuma relação entre a incidência de cancro e o uso de glifosato nos agricultores.

“Neste grande estudo de coorte prospectivo, nenhuma associação foi aparente entre o glifosato e quaisquer tumores sólidos malignos ou linfóides em geral, incluindo linfoma não-Hodgkin (NHL) e os seus subtipos”.

Galinhas e sapos deformados

Na Argentina, também conhecemos Rafael Lajmanovich, um investigador que mostrou que um certo tipo de formulação de glifosato causa deformações em frangos e embriões de sapo. Mas ele injeta esta mistura no embrião, algo que não é exatamente relevante para a forma como os fetos serão normalmente afetados pelo glifosato. Eu acho que se injetar aloe vera num embrião, não irá correr bem.

Agora, também é incontestável que alguns dos aditivos utilizados em pesticidas à base de glifosato são venenosos para os organismos aquáticos. Durante vários anos, o uso de alguns aditivos foi limitado em torno da água e dos cursos de água e posteriormente foram parcialmente eliminados. Mas aqui os aditivos que foram o problema, não o glifosato.

Patenteado como amaciador de água

É verdade o que eles dizem no documentário, que o glifosato foi originalmente descoberto por um suíço chamado Henri Martin em 1950. Também é bastante correto dizer que o glifosato originalmente foi patenteado como um quelante. Isto é, o glifosato pode ligar-se a iões metálicos, como o cálcio e magnésio. E por isso foi utilizado para evitar depósitos de cal em aquecedores de água quente.

O documentário tenta falar disso como se fosse algo estranho e assustador, que definitivamente não é. O glifosato pertence a uma categoria de compostos conhecidos como fosfonatos, um grupo de substâncias utilizadas em centrais de tratamento de água.

Um quelante não é necessariamente perigoso em si mesmo. Eles são usados em alimentos, medicamentos e detergentes, por exemplo. O ácido málico, o ácido cítrico e alguns aminoácidos são quelantes comummente usados.

Existem muitos quelantes naturais no solo e nas plantas. O transporte de minerais é uma função comum. A clorofila e a hemoglobina são ambos quelantes. O glifosato, no entanto, é um quelante bastante fraco, o que torna completamente impossível obter os efeitos que o filme mostra. As alegações de que o glifosato pode causar deficiência nutricional nas plantas não são suportadas pela evidência. De acordo com um estudo de literatura importante:

“Em geral, nenhuma pesquisa sobre os efeitos do agente quelante na captação de metal indicaria que um quelante fraco como o glifosato reduziria ou aumentaria a absorção de micronutrientes do solo”.

Outro problema para esta teoria é que existem infinitamente mais metais no solo do que as moléculas de glifosato e uma molécula de glifosato só se pode ligar um único ião metálico:

“Numa base molar, a relação metal para glifosato pode ser de cerca de 10.000 vezes mais a cerca de 100.000 vezes mais minerais, como Mg ou Ca em comparação com o glifosato”

Os pesquisadores concluíram que há poucas evidências disponíveis que demonstrem que o glifosato pode causar deficiências nutricionais no solo e nas plantas ou que essa deficiência nutricional inexistente leva a doenças reais. Pelo contrário, os dados dos Estados Unidos mostram que os rendimentos das culturas aumentam de ano para ano.

As pulgas de água mortas

O filme também nos leva a Tromsø, na Noruega, para falar com Thomas Bøhn, no Centro Nacional de Biossegurança do Genøk.

Ele afirma que as pulgas de água alimentadas com a soja RoundUp Ready morreram antes das pulgas de água alimentadas com soja convencional ou orgânica. No entanto, o que Bøhn não nos diz é que o projeto experimental desses testes de pulga de água foi tão problemático que nenhum deles cumpriu os padrões usados ​​pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) na sua avaliação de segurança, quer do glifosato quer da soja geneticamente modificada. Os estudos com pulgas de água de Genøk são tão maus que Jeremy Sweet, que está no painel da EFSA para plantas geneticamente modificadas, usou-os como um exemplo de como não realizar estudos de pulgas de água. Genøk permite que os seus estudos de pulgas de água continuem até que seja introduzido ruído estatístico suficiente para alcançar qualquer conclusão pré-determinada pretendida.

O glifosato é um antibiótico

No filme, o veterinário americano Art Dunham afirma que o glifosato é o antibiótico de maior amplitude no mundo e que o glifosato também é patenteado como antibiótico.

Muitas substâncias têm funções antimicrobianas. O álcool pode matar bactérias, mas ninguém vê isso como um antibiótico de amplo espectro. Embora eu tenha amigos que recomendam água-ardente como remédio, exigirá tanta água-ardente para matar bactérias que o doente morreria primeiro. E o mesmo se passa com o glifosato.

Sim, é patenteado como um antibiótico nos Estados Unidos porque uma empresa quer patentear o máximo de utilizações possíveis para uma substância. No entanto, apesar do glifosato afetar algumas bactérias negativamente isso não significa que essas bactérias que desenvolvem resistência ao glifosato irão ser resistentes aos antibióticos utilizados na medicina. A forma como o glifosato funciona nas bactérias é completamente diferente das formas que os antibióticos convencionais funcionam.

O filme também afirma que o glifosato só mata bactérias “boas”. A ideia de que o glifosato só afeta bactérias “boas” e não bactérias “más” também significaria que em algum lugar do mundo existe uma lista internacionalmente reconhecida de bactérias boas e más e que essas bactérias podem ser definidas pelo seu metabolismo em vez dos seus efeitos sobre a saúde humana. Essa lista não existe

Dr. Don Huber e as 40 doenças

O Dr. Don Huber é Professor Emérito de Fitopatologia (Patologia de Plantas) da Universidade de Purdue. Há vários anos advertiu contra um novo super-organismo que, aparentemente, tem um efeito totalmente destrutivo sobre plantas, animais e seres humanos que causa, entre outras coisas, problemas de reprodução. Algo que será absolutamente excepcional dado que o milho, a soja, os porcos e os seres humanos possuem sistemas reprodutivos bastante diferentes. No documentário, ele afirma que é possível traçar 40 doenças diferentes de volta ao super-organismo; que evoluiu devido ao uso de plantas geneticamente modificadas e ao glifosato.

Mas ele ainda não consegue explicar o que é esse organismo. Se é um vírus, um fungo ou uma bactéria. Ele nem sequer sabe se tem DNA. Mas ele tem evidências desse novo super-organismo? Não, nenhuma.

Don Huber recusou-se a partilhar os seus dados ou exibir o organismo a outros investigadores e nunca publicou nenhuma pesquisa revista por pares sobre o super-organismo. Nem os efeitos observáveis ​​deste patogénio devastador apareceram desde que ele começou a falar dele há sete anos atrás.

O Dr. Huber é bastante habilidoso em transmitir patetismo, relatos de caso e conectar eventos não relacionados. Nesta publicação no blog, um agricultor orgânico americano fala sobre o modus operandi de Huber:

“Por exemplo, ele mostra os resultados de um estudo e como ilustração exibe fotos aéreas tiradas aos campos de milho vizinhos durante a seca de 2012. Indica que um campo é não-transgénico e outro é transgénico e fala sobre a aparência superior do primeiro, ignorando o fato de que um sem número de outros fatores podem explicar a diferença entre dois campos em duas fazendas separadas, apesar da sua proximidade geográfica “.

É bastante difícil distinguir de que doença Huber está a falar no documentário, mas quando ele murmura; “A bactéria, a bactéria”, parece o Marlon Brando no final do Apocalypse Now.

Sri Lanka e doença renal crónica

Têm investigado durante vários anos, no Sri Lanka, a causa de uma alta taxa de incidência de doença renal crónica (DRC), mas ainda não conseguiram descobrir qual é o motivo. No documentário, não são apresentadas tais incertezas. Em vez disso, conhecemos Channa Jayasumana que liga a DRC ao uso de glifosato na agricultura. Ele acredita que o glifosato se liga a metais pesados ​​no solo e que esses metais pesados ​​acabam na água potável e nos rins das pessoas. Há muitos problemas com essa teoria, a falta de dados sendo um deles. O fato de a DRC ter ocorrido muito antes do uso de glifosato no Sri Lanka é outro. Uma completa falta de investigações em outros lugares do mundo que demonstrem um ligação entre a DRC e uso de glifosato, um terceiro problema.

Porcos deformados

Da Dinamarca vem um antigo fazendeiro de porcos, Ib Borup Pedersen, com relatos de caso sobre a soja geneticamente modificada na alimentação dos porcos que ele sente terem levado ao aparecimento de leitões deformados. Pedersen conta que quando o seu pai produzia leitões antes da introdução da soja GE, não havia porcos deformados. Acho isso um pouco surpreendente, porque eu cresci numa fazenda de porcos noruegueses. Provavelmente vi o parto de cerca de 5000 leitões ao longo dos anos e as malformações que Pedersen faz referência também são bastante comuns na Noruega livre de transgénicos.

Também é um pouco estranho que nenhum outro produtor de suínos dinamarquês tenha notado o mesmo problema. A Dinamarca produz mais de 30 milhões de leitões por ano e se houvesse algum problema com a alimentação, agricultores altamente profissionais e experientes teriam percebido isso nas suas estatísticas de produção imediatamente.

Já foram realizadas pesquisas sobre o desempenho do gado antes e após a introdução de alimentos transgénicos. Alison Van Eenennaam publicou um enorme estudo em 2013 que incluiu parâmetros de produção para 105 biliões de frangos nos Estados Unidos durante um período de 10 anos, concluindo o seguinte:

“Este grande conjunto de dados de campo não revela problemas de saúde associados ao consumo de alimentos transgénicos, mas sim uma continuação da tendência da indústria que foram observadas antes da introdução da safra transgénica”.

Manipulação da pesquisa

No final do documentário, ouvimos investigadores da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC), que há dois anos concluiu que o glifosato é provavelmente cancerígeno para os seres humanos. O IARC tem um estranho agrupamento de substâncias que causam cancro em seres humanos. No grupo de “trabalhar com glifosato”, encontramos o seguinte: bebidas quentes com mais de 150 graus, trabalho por turnos, serradura, carne vermelha e spray para o cabelo. No grupo que definitivamente causa cancro, encontramos: álcool, plutónio, vapor de diesel, luz do sol e carne processada.

Um carcinogénio provável significa que poderá haver alguma dose em que uma substância pode causar cancro. Não é uma avaliação do risco de cancro nos níveis de exposição do mundo real. Mais estranho ainda são as revelações que surgiram recentemente. A agência de notícias Reuters classificou a IARC como uma organização com especialistas corruptos que manipularam e ignoraram investigações que não se enquadravam na conclusão que pareciam procurar. Recentemente, esta agência revelou que Christopher Portier, um dos últimos entrevistados no filme, recebeu secretamente $160.000 como especialista em glifosato de um escritório de advocacia que trabalhava numa ação coletiva contra a Monsanto. E isso aconteceu ao mesmo tempo que afirmou não ter interesses financeiros na proibição de glifosato.

Então, o que está a acontecer?

Então, o que é esse documentário? Bem, não é jornalismo. É ativismo. E a história mais interessante aqui é o que não entendemos; Onde estão as estatísticas de saúde pública? Onde estão os investigadores da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) para dizer que não há conexão com o cancro? Ou o resto das autoridades reguladoras internacionalmente reconhecidas (australianas, americanas, japonesas, canadianas e outras entidades científicas)? Onde estão os agricultores de todo o mundo que usam o glifosato para controlar ervas daninhas? Onde estão os representantes da Monsanto ou qualquer outro fabricante de glifosato? 

A tentativa de propaganda que a cineasta Marie-Monique Robin encenou e na qual participou não é mais que uma coleção de pessoas marginalizadas e desonestas nesta cruzada contra a agricultura moderna, contra o processo regulatório e contra o método científico. Aqui não há zonas cinzentas nem debate possível. É o bem contra o mal. Há sentimentos contra factos. Eles usam todos os truques no livro. E a RTP1 emprestou a sua credibilidade (ultimamente muito desgastada) a pessoas que deveriam estar equipadas com chapéus de papel de alumínio.

De acordo com os números alemães, os agricultores da UE perderiam 20 por cento dos seus ganhos se o glifosato fosse banido. Teríamos que aumentar a lavoura e o cultivo do solo para controlar as ervas daninhas, haveria mais erosão, mais escoamento de nutrientes, menos sequetração de carbono, maiores emissões de carbono do solo cultivado, maior consumo de diesel e ligações de carbono mais baixas nos solos europeus. A Noruega e a Europa tornariam-se-iam menos auto-suficientes e o impacto ambiental da produção de alimentos aumentaria.

Também não haveria ninguém salvo de cancro, doença renal, bactérias resistentes a antibióticos ou deficiências nutricionais nas plantas.

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Øystein Heggdal

Agronomista; Bacharelato em Ciência Ambiental e Recursos Naturais;Jornalista na Norsk Landbruk.