evidência científica óleos essenciais

Óleos Essenciais ou Óleos Não Essenciais?

admin Charlatanice, Geral, Literacia em Saúde Leave a Comment

Para quem não sabe, um óleo essencial é um concentrado dos compostos de aroma de uma planta. Eles são assim chamados porque contêm a fragrância ou “essência” da planta e não porque são “essenciais” para a saúde humana. Nem porque tenham algum tipo de propriedade “essencial” em termos biológicos.

Todas as plantas contém óleos, mas cerca de 3000 contêm os tais óleos essenciais, também chamados “óleos aromáticos” ou “óleo voláteis”, seja nas flores, folhas, madeira, fruta ou casca. Teoriza-se que os óleos essenciais surgiram na Natureza para atrair insetos para a polinização ou como agentes de supressão dos predadores.

De onde surgem os óleos essenciais?

Os defensores dos óleos essenciais referem que estes têm sido usados desde há milhares de anos como estimulantes ou sedativos do sistema nervoso e como tratamentos para uma ampla gama de doenças. Associaram historicamente estes óleos aos unguentos descritos na Bíblia, aos utilizados no antigo Egito, aos remédios usados ​​durante a Idade Média e no Renascimento e à queima de plantas aromáticas em vários rituais religiosos. No entanto, a aplicação contemporânea dos óleos essenciais, principalmente na área da aromaterapia,  só surgiu no início do século XX, quando o químico e perfumista francês Rene Gattefossé, considerado o pai da aromaterapia, cunhou esse termo e publicou um livro com esse nome em 1937. Gattefossé propôs o uso de óleos essenciais para tratar doenças em virtualmente todos os sistemas de órgãos, utilizando como evidência de eficácia os testemunhos e relatos de caso. Ou seja, inutilidades em termos científicos.

Gattefossé e os seus colegas em França, Itália e na Alemanha estudaram os efeitos dos óleos essenciais na vertente da aromaterapia por mais de três décadas. No entanto, o uso destes produtos saiu de moda na metade do século XX até ter sido redescoberto por outro francês, o médico Jean Valnet, na última parte do século. Valnet publicou seu livro The Practice of Aromatherapy em 1982, época em que a prática se tornou mais conhecida na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Durante as décadas de 1980 e 1990, quando os doentes dos países ocidentais passaram a interessar-se cada vez mais pelos tratamentos alternativos, a procura de óleos essenciais e da aromaterapia entrou em crescendo em termos de popularidade. Popularidade utilizada na área da saúde, da cosmética e produtos de higiene, alegando que tais produtos promoviam bom  o humor e bem-estar dos seus utilizadores.

No entanto, apesar desta crescente popularidade, pouca investigação científica tinha sido feita sobre o tema até o início da década de 1990. As primeiras investigações na área foram feitas por enfermeiras, que costumavam ser as principais praticantes da aromaterapia nos Estados Unidos e no Reino Unido. Agora, os Aromaterapeutas até publicam a sua própria revista científica, o International Journal of Essential Oil Therapeutics.

A investigação científica sobre óleos essenciais…

Existem algumas aplicações práticas e reais dos óleos essenciais, mas a maioria fora da área da saúde. Os óleos essenciais são encontrados como odorantes em cosméticos, perfumes, sabões, detergentes e vários outros produtos que vão desde inseticidas a tintas. São usados ​como aromatizantes em diversas áreas e também ​​para dar sabor a alimentos e produtos de tabaco (mas são tóxicos em grandes doses). O óleo de citronela tem alguma eficácia anti-repelente de insectos. O Timol e o Linolol são bons pesticidas, por exemplo.

Na área da saúde, temos alguns produtos de venda livre conhecidos que contêm óleos essenciais; por exemplo, o Vicks VapoRub contém cânfora, eucalipto e mentol. E sim, funcionam como descongestionantes moderadamente eficazes. Alguns óleos essenciais, isoladamente em combinação, podem aumentar a absorção de fármacos através da pele.

Os óleos essenciais também têm sido estudados relativamente a possíveis efeitos anti-bacterianos (artigo e artigo), anti-inflamatórios e analgésicos (artigo e artigo). E podemos dizer que têm alguma eficácia e poderão ter um efeito sinérgico se utilizados com os fármacos convencionais.

Relativamente a patologias específicas, existem alguns resultados promissores dos óleos essenciais. Por exemplo, no tratamento da alopécia (artigo, artigo e artigo), da ansiedade (artigo, artigo, artigo), do stress (artigo), da perturbação de sono (artigo e artigo), da demência (artigo e artigo) e da hipertensão (artigo). No entanto, volto a referir, os resultados são promissores…apenas isso. A maioria dos efeitos terapêuticos associados aos óleos essenciais não estão apoiados por boa evidência científica.

Aliás, em 2012 o Edzard Ernst fez uma revisão das revisões sistemáticas sobre o tema e a evidência era pouco convincente relativamente às patologias estudadas.

Verifica-se que nesta área a maioria dos estudos são marcados por má qualidade metodológica: vieses não controlados, amostras pequenas e dificuldades inerentes à construção de um bom controlo para mascarar a substância placebo por forma a ser indistinguível da substância ativa. Por exemplo, sabemos que a expectativa pessoal do efeito da aromaterapia parece desempenhar um papel importante na responsividade (ou seja, o efeito placebo). Sem um bom controlo os resultados ficam enviesados (artigo e artigo). Para confundir ainda mais a determinação da eficácia, os óleos essenciais são frequentemente usados ​​na massagem terapêutica. Ou seja, temos dois componentes com possíveis “propriedades terapêuticas” a trabalhar em conjunto sendo difícil perceber, quando existe melhorias, a que componente devemos atribuí-las.

Além disso, pouco sabemos sobre o possível mecanismo de ação dos óleos essenciais na maioria destas patologias. Os defensores da aromaterapia frequentemente citam a conexão entre o olfato e o sistema límbico (região do cérebro responsável pelas emoções, de forma simplificada) como base para os efeitos da aromaterapia no humor e nas emoções; menos é dito sobre mecanismos propostos para os supostos efeitos noutras partes do corpo. A maior parte da literatura sobre aromaterapia, no entanto, carece de estudos neurofisiológicos detalhados sobre a natureza do olfato e sua ligação com o sistema límbico. Os defensores da aromaterapia também acreditam que os efeitos dos tratamentos são baseados na natureza especial dos óleos essenciais usados ​​e que os óleos essenciais produzem efeitos no corpo que são maiores do que a soma dos componentes químicos individuais dos aromas.

Os efeitos adversos dos óleos essenciais

A maioria dos óleos essenciais são seguros, se forem inalados ou colocados na pele. Já a ingestão de óleos essenciais pode ser perigosa. Os principais efeitos adversos são irritação da pele e alergias com a utilização de alguns óleos. O efeito adverso mais relevante é o risco de ginecomastia reversível com a utilização tópica de óleos de lavanda e de árvore do chá.  Estes óleos parecem ter um efeito estrogénico e antiandrogénico e, por essa razão, convém evitar nos homens e doentes com cancros responsivos aos estrogénios.

Mas, honestamente, não é isso que me preocupa relativamente aos óleos essenciais.

Os óleos essenciais são um íman de treta…

Como vimos acima, existe algumas potencialidades relativamente aos óleos essenciais. Sem dúvida que existe plausibilidade biológica para alguns efeitos benéficos para a saúde. No entanto, os óleos essenciais funcionam como um íman de treta e de tretólogos. Por exemplo, a Terceira Edição do Essential Oils Desk Reference usa testemunhos e falácias da autoridade e antiguidade (citações bíblicas, Napoleão e Hildegarda de Bingen) para justificação os efeitos positivos dos óleos essenciais. O livro descreve o uso de óleos essenciais em conjunto com a reflexologia, acupuntura, técnicas osteopáticas, como método detox, para reforço do sistema imunológico, equilíbrio do pH, entre outros.

O livro é contra a utilização de cloro para desinfetar a água, apesar de ser um método perfeitamente seguro e eficaz na prevenção de doenças. Também apoia tacitamente o movimento antivacinação descrevendo tratamentos para doenças comuns evitáveis ​​na infância, que nenhuma criança deveria precisar, a menos que não fossem vacinadas (por exemplo, difteria, varicela, sarampo, parotidite e até poliomielite). Algumas das ideias mais distorcidas da 3ª edição foram removidas nas edições posteriores do livro depois da editora ter vendido os seus direitos de publicação à Life Science Publishing, embora as edições mais antigas continuem populares.

Como exemplo, o DoTerra (que vamos falar abaixo) promove óleos essenciais aplicados recorrendo a princípios da reflexologia. Colocando os óleos em determinados pontos dos pés ou das mãos ajuda a tratar diferentes órgãos…só que não:

reflexologia e oleos essenciais

Mas não ficamos por aqui. O livro Modern Essentials, considerada uma das Bíblias da área, “prescreve” óleos essenciais para praticamente todo o tipo de patologias incluindo diabetes, cancro e mesmo joanetes…se alguém conseguir tratar um joanete com óleos essenciais, converto-me já à causa.

Indo mais longe: o modelo de negócio desprezível dos óleos essenciais…

Existem várias empresas que comercializam óleos essenciais. Duas das maiores empresas são a Young Living e Do Terra. Ambos funcionam no modelo de Marketing Multi-Nível. O marketing multinível é um modelo comercial que ganha dinheiro através de:

  1. Venda efetiva dos produtos;
  2. Recrutamento de novos vendedores.

É um modelo semelhante a um sistema piramidal, em que os do topo da pirâmide recrutam pessoas abaixo delas ficando com uma percentagem do valor das vendas. Mas como se diferencia o Marketing Multinível do Sistema Piramidal? Na quantidade de rendimento que advém de cada parcela.

Nos Estados Unidos, uma forma de diferenciar os dois sistemas é a chamada regra dos 70%: se 70% ou mais do rendimento da empresa é originário da venda de produtos, é Marketing Multinível (ou em Rede).  Se mais de 30% do rendimento deriva do recrutamento de novos vendedores, então é um sistema piramidal.

No entanto, é muito difícil regular este negócio e perceber de onde vem o rendimento. E esta regra dos 70% pouco nos diz sobre as oportunidades criadas por este tipo de negócio para as pessoas que decidem investir nele. Aliás, um relatório recente da FTC (artigo e artigo) vem aumentar o conhecimento sobre este modelo de negócio e é assustador: 99.6% dos participantes no modelo de marketing multi-nível perdem dinheiro. Volto a repetir…99.6% perdem dinheiro.

Isto é o pior resultado de todos os modelos de negócio existentes, incluindo os sistemas piramidais puros, sem troca de qualquer tipo de produto! . Volto a repetir…têm maior probabilidade de ganhar dinheiro se investir num sistema piramidal. Até a jogar roleta nos casinos as probabilidades são melhores. Logo, estas empresas não passam de um sistema de venda de produtos a pessoas que entram na rede mas que nunca conseguem despachar a mercadoria e ganhar dinheiro com isso. Alimentar este modelo de negócio é imoral.

prejuízos no marketing multinível

Também se verifica que os produtos vendidos através do sistema marketing multinível tendem a ser mais caros relativamente à concorrência (é preciso alimentar a pirâmide) sem qualquer vantagem palpável associada. Mas o pior problema deste sistema é que recorre a práticas pouco éticas e a comportamentos típicos dos vendedores de banha da cobra. Do lado da empresa, a criação de expectativas completamente irreais, prometendo mundos e fundos aos vendedores afiliados, dizendo que é um negócio de baixo risco, que necessita de pouco investimento pessoal e é muito rentável. Como vimos acima, nada disso é verdade. Do lado dos vendedores afiliados, a utilização todas as formas possíveis e imaginárias para se verem livres dos produtos (muitas das quais pouco éticas e imorais). Então, não é incomum os promotores destes produtos fazerem referências a “curas” de doenças com a utilização de óleos essenciais. A maioria são mentiras com objetivos de aumentar as vendas.

Aliás, o que se vê neste modelo de negócio é que as empresas raramente argumentam que os seus produtos curam doenças, pelo menos não de forma clara. Nos seus meios de comunicação, fazem sempre referências vagas às vantagens para a saúde com a utilização dos seus produtos. O que essas empresas fazem é colocar o “fardo” da propagação de mentiras sobre as vantagens destes produtos nos vendedores afiliados, uma tentativa de desresponsabilizar a empresa dos riscos legais, dizendo que é difícil controlar o que os colaboradores dizem ou fazem…mas na realidade, eles promovem esse tipo de comportamentos.

O Caso da Young Living

Acho importante conhecerem a história do Sr. Gary Young, fundador da empresa de venda de óleos essenciais Young Living (12, 34), por forma a perceberem quem são algumas das pessoas por trás destes produtos.

Em 1974, Gary Young refere ter ficado paralisado num acidente enquanto cortava madeira. Alega ter sofrido de meningite, 16 vértebras esmagadas, 11 discos rompidos, 19 ossos fraturados, etc. Uma festa…Na altura, Young tinha 24 anos e segundo o seu médico nunca mais conseguiria andar. No entanto, Young refere que ficou curado destes problemas gravíssimos recorrendo aos óleos essenciais…incrível…no entanto, não há qualquer documentação ou outro tipo de provas de que este acidente tenha ocorrido e que Young tenha sofrido estas lesões.

Em 1980, estudou (de passagem) massagem terapêutica no American Institute of Physioregenerology. Mais tarde, afirmou ter-se formado nessa instituição, até que se descobriu que estava a mentir. Não tinha qualquer diploma dessa instituição. De acordo com o fundador do instituto, Gary andou por lá a passear. Fez apenas um terço do curso e ficou a dever 2000 dólares em propinas que nunca pagou.

Em 1981 abriu uma “clínica” em Spokane, Washington, usando a sua “licenciatura”. Em 1982, Gary convenceu a sua esposa na época, Donna Young, a ter o seu bebé numa banheira de hidromassagem na “clínica”. Young segurou o bebé, uma menina, debaixo de água durante uma hora. O bebé morreu. O médico-legista disse que morreu de privação de oxigénio e teria vivido se ele não a tivesse segurado debaixo de água. No entanto, o acontecimento foi considerado um “acidente”.

Em 1983, um polícia à paisana visitou a “clínica” e perguntou a Gary se faziam nascimentos subaquáticos. Gary disse imediatamente que sim e que oferecia outros cuidados pré-natais. Chegou mesmo a alegar, na conversa, que conseguia curar o cancro da mãe do polícia. Gary foi preso por praticar medicina sem licença, mas passou apenas 60 dias na prisão e um ano de liberdade condicional.

Em 1985, Young obteve um “mestrado em nutrição” e mais tarde um “doutoramento em Naturopatia”, ambos da Universidade de Bernadean. A Universidade de Bernadean era uma fábrica de diplomas (ou seja, uma empresa que vende diplomas falsos) que foi fechada pelo Tribunal Supremo do Nevada devido a essas práticas ilegais.

Em 1986, Young abriu uma “clínica de tratamento de cancro” em Tijuana, no México, usando os seus “diplomas”. Enganou as pessoas, que lhe deram grandes somas de dinheiro, alegando que poderia colocar um doente em remissão se permanecesse por três semanas na “clínica” e desembolsasse 6.000 dólares. Poderia “curar” o doente se pagasse 10.000 dólares. Nessa clínica utilizava para tratar cancro a substância Laetrile, também conhecida como Vitamina B17 ou amigdalina, que é um componente proibido nos Estados Unidos com riscos sérios de matar quem o consome. E, obviamente, sem qualquer tipo de eficácia demonstrada a tratar cancro.

A clínica foi considerada uma fraude depois de um jornalista do LA Times ter enviado sangue de um gato saudável para a clínica para ser “testado” por 60 dólares. O jornalista foi informado de que o sangue tinha evidências de um “cancro agressivo” e problemas no fígado. Não foi feito qualquer teste para mostrar que o sangue não era humano. O jornalista foi aconselhado a fazer um “programa de desintoxicação” na clínica, que custaria 2000 dólares por semana; também foi sugerido um programa para fazer em casa, à base de vitaminas e suplementos alimentares, que custava 490 dólares. Outro jornalista enviou o sangue de um frango saudável, novamente para ser “testado” por 60 dólares. Foi informado de que o sangue tinha evidências de inflamação do fígado e pré-linfoma. Mais uma vez, não houve testes feitos para mostrar que o sangue não era humano. Também foi prescrito o “programa de desintoxicação”.

Em 1989, Young começou a cultivar plantas em Spokane, Washington, e conseguiu abrir duas unidades de destilação. Em 1993, Gary fundou a Young Living em Riverton, Utah. Referia que os métodos usados ​​para colher e extrair os óleos eram “costumes praticados durante o período de Cristo“.

Mais tarde, em 1993, Gary foi novamente preso em Fife, Washington, por praticar medicina sem licença. Esteve preso mais 60 dias. Em setembro de 1993, foi demitido da Young Living após a sua prisão bem como pelo uso indevido de fundos da empresa e comportamentos erráticos. Dois dias após a sua demissão foi ao escritório da Young Living e tentou entrar no escritório trancado rebentando a porta com um machado. Depois empurrou a esposa pelas escadas abaixo e ameaçou o próprio filho e um funcionário da Young Living com o machado. Teve que ser escoltado pela polícia.

Em 2000, abriu a Raindrop Therapy, onde quantidades inseguras óleos essenciais eram aplicados na pele. Alegava que isso tratava a escoliose e era desintoxicante. Ainda em 2000, abriu o Instituto de Medicina Natural Young Life Research em Springville, Utah. Nessa clínica realizava “testes”, incluindo “iridologia, análises quânticas e análise de células sanguíneas vivas”. Oferecia “tratamentos no campo bioelétrico, irrigação colónica e terapia com pingos de chuva”. Coisas sem qualquer vantagens comprovadas para os doentes.

Após a abertura da clínica Young Life Research, Gary teve sempre problemas com as autoridades reguladoras devido ao marketing que fazia sobre as vantagens dos óleos essenciais. A FDA escreveu-lhe uma carta de advertência dizendo para não referir que os óleos essenciais curariam doenças. Isto foi seguido por uma segunda, terceira e quarta carta. Em 2005, uma mulher alega que os tratamentos realizados na Young Life Research, lhe provocaram insuficiência renal e alegou que os “tratamentos” de Gary Young quase a mataram. Mais tarde, em 2005, Young fechou a “clínica” de vez no meio do dia enquanto recebia os clientes. Fugiu para o Equador.

Em 2015, os suplementos Young Living foram testados para ver se continham chumbo. Oito dos suplementos Young Living tinham para ter níveis extremamente elevados de chumbo. Talvez devido à utilização dos “costumes praticados durante o período de Cristo“…

Em 2016, 94% dos 2 milhões dos vendedores afiliados da Young Living ganharam menos de um dólar. Como curiosidade final, o nome completo de Young é Donald Gary Young, mas ele escreve D. Gary Young para se parecer com Dr. Gary Young…gente que nasceu para o marketing.

Isto é apenas um resumo de uma história com muito mais peripécias e problemas com as autoridades. Eu sei que isto pode parecer uma história tresloucada ou dar a sensação que é um caso isolado, mas infelizmente estas histórias de vida são bastante comuns nos promotores da treta. Sempre à procura de novas formas de ganhar dinheiro à custa do desespero das pessoas. Sem qualquer problema em atuar à margem da lei. Sem qualquer tipo de interesse se os seus produtos são ineficazes ou perigosos para quem os consome.

Conclusão

Se quiserem usar óleos essenciais, seja para perfumar a casa, como técnica de relaxamento utilizando os óleos de forma isolada ou durante uma massagem, nada a opor. Parece-me ótimo. Poderá a ajudar a reduzir de forma temporária os níveis de ansiedade e contribuir para uma sensação subjetiva de bem estar. Se está à espera de ficar curado de alguma patologia recorrendo aos óleos essenciais, então talvez deva pensar duas vezes (três, quatro…quantas vezes for preciso). Existe plausibilidade biológica para que alguns dos produtos utilizados nesta área tenham verdadeiras propriedades terapêuticas em algumas patologias específicas, mas para já nada de conclusivo.

Além disso, verifique a quem anda a comprar os óleos. Se os vendedores utilizarem a palavra “cura”na promoção dos óleos, são charlatões. Se forem empresas que trabalham em sistemas de marketing multinível, já sabe que são empresas que enriquecem à custa da desgraça alheia e dos desgraçados dos vendedores afiliados que acreditam no conto da Carochinha.

E para terminar, um vídeo sobre se a Young Living é um culto:

 
 

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Dr. João Júlio Cerqueira

Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar