crenças e neo-ateísmo

Vamos Falar (E Não Falar) Sobre Religião

admin Geral, Literacia em Saúde, Religião, Sociologia Leave a Comment

Nota 1: Este artigo é dedicado a Christopher Hitchens, uma das mentes mais brilhantes nesta Pedra ao Sol plantado. Um orador excepcional, alguém com uma forma de estar simples e sem hipocrisias. Infelizmente, faleceu a 15 de Dezembro de 2011.

Nota 2: Este não é um artigo a menorizar a religião. Não pretendo convencer as pessoas religiosas a abandonarem a sua religião. Este artigo é para ateus e crentes. É um compêndio de informação que vos vou oferecer e que espero, honestamente, que vos enriqueça intelectualmente como me enriqueceu a mim.

Sou ateu. Acho que sou ateu desde os 6 anos, quando pedi para sair da catequese após ter completado a primeira comunhão. Nunca percebi a utilidade de ir à Igreja aos Domingos. Nunca percebi o ritual do senta, levanta, repete o que o padre diz, acaba com ámen e vai rezar o terço. Sempre me fez confusão os dez mandamentos, um clara demonstração de um autoritarismo de um “Ser superior” que podia ter imposto regras para a moralidade muito mais interessantes e abrangentes. Deixou muito a desejar, o que é contraditório com um ser Omnisciente.

Apesar de ateu agnóstico desde muito cedo, durante anos dei pouca importância à religião. Não lia sobre o assunto, não achava relevante ou minimamente interessante…No entanto, estava profundamente errado. Foi a religião que me deu a conhecer algumas das mentes mais brilhantes que alguma vez viveram…e não só.

definicao ateu agnostico

Classificação da posição relativamente à religião

História Resumida da Evolução do Ateísmo

A religião foi, entre outras coisas, a forma de explicar o mundo durante muitos milhares de anos. Tendo a concordar com o que Yuval Harari escreveu no Livro Sapiens, Breve História da Humanidade – possivelmente, a primeira vez que o Homem duvidou da existência de uma divindade (ou várias divindades) que tudo cria e controla, foi há cerca de 10.000 anos atrás, com o início da Revolução Agrícola. Nessa altura, o Homem percebeu que ele também podia, através do cruzamento de animais da mesma espécie com determinadas características desejadas, criar galinhas gordas e lentas e cereais que fossem mais produtivos. Esse poder sobre as características físicas dos animais e plantas tinham deixado de estar, pela primeira vez, sobre o domínio exclusivo das Divindades.

No entanto, o Homem não conseguia criar novas espécies, apenas selecionar algumas das suas características. Mais uma vez, seria necessária uma Divindade com capacidades sobrenaturais para criar novas plantas e novos animais. Também teria sido essa Divindade quem criou o Homem “à sua imagem e semelhança.”

Várias personalidades ao longo da História foram questionando a existência de Deus(es), como Tales de Mileto na Grécia Antiga (das pessoas mais importantes que nunca ouvimos falar), apesar de tal ser considerado um crime capital na época, tendo Sócrates sido vítima dessa acusação (asebeia). Não só isso como várias religiões foram surgindo ao longo da história sem necessidade de adoração de uma entidade divina como caminho para a salvação: o Jainismo, Budismo, Taoísmo e algumas filosofias do Hinduísmo.

Hoje em dia conseguimos ter a noção sobre a origem e evolução das religiões ao longo da História da Humanidade, demonstrando que a religião é apenas uma construção social que varia geograficamente e ao longo do tempo:

historia da religiao

No entanto, há cerca de 150 anos, outro choque abalou a religião como modelo explicativo dominante sobre o mundo em que vivemos. Não chegava a rejeição do Geocentrismo, teoria que colocava a Terra (e o Homem) no centro do Universo, surge Darwin e a Teoria da Evolução das Espécies. O maior rombo na religião de que há memória, já que a necessidade de um ser divino tinha sido eliminada para explicar surgimento de novas espécies e mesmo da espécie humana. A Teoria de Evolução das Espécies causou tal degradação dos pilares centrais da religião que ainda hoje em dia os fundamentalistas tentam refutá-la. Vários movimentos internacionais religiosos lutam para que deixe de ser ensinada nas escolas ou que o seja ao mesmo nível que o criacionismo. É um exercício semelhante a lutar pela introdução dos princípios da Terra plana na área da Física e Astronomia.

Não deixa de ser surpreendente que a imagem acima continue a circular hoje em dia nas redes sociais, para tentar descredibilizar Darwin. Assim como a habitual pergunta “Se descendemos dos macacos, porque é que ainda existem macacos?”. Pergunta respondida milhões de vezes…nós não descendemos dos macacos, temos antepassados comuns com os macacos. O último antepassado comum entre nós e o chimpanzé tem entre 6 a 8 milhões de anos:

evolucao da especie humana

Com o passar do tempo, devido ao facto da ciência conseguir, cada vez mais, explicar o mundo natural, surgiu o conceito “The God of The Gaps“. Este conceito representa o comportamento dos crentes, perpetuando a necessidade da existência de um Ser Divino como explicação do Universo, encaixando-o nos vazios ainda não preenchidos pela ciência. Os mais conhecidos são a Consciência Humana, a Origem da Vida e a Origem do Universo. Dado que a ciência ainda não consegue explicar estes fenómenos, “então Deus“. O que é uma visão reducionista da questão. Chama-se falácia do apelo à ignorância.

Essas áreas acabarão, eventualmente, por ser explicadas pela ciência. Por exemplo, no caso da Origem da Vida temos a área da Abiogénese, com várias teorias e estudos experimentais que começam a dar forma à hipótese do surgimento da vida através de material inorgânico. Uma das teorias mais aceites é o surgimento de replicadores simples que dariam origem a estruturas de complexidade crescente. Simulando as condições existentes em alguns locais da Terra há biliões de anos atrás, conseguimos provar que é possível criar vários tipos de compostos orgânicos como aminoácidos, purinas e piramidinas através de material inorgânico: a chamada Sopa Primordial. Estes são os blocos fundamentais para o aparecimento de vida, tal como a conhecemos.

Depois temos a grande questão: a Origem de Tudo. Como surgiu o Universo? A teoria do Big Bang explica até milésimos de segundo antes da expansão do espaço e do tempo o que aconteceu. Mas não consegue explicar a origem…”então Deus“! No entanto, aqui temos um problema…Quem criou Deus? E quem criou o criador de Deus? Uma regressão infinita…

Mas assumindo que Deus pode surgir do nada, porque não pode o Universo surgir do nada, sem a necessidade de um Deus? E possivelmente foi isso que aconteceu. Como Lawrence Krauss explica no seu livro A Universe From Nothing é possível o Universo surgir do nada. Porque o nada parece ser intrinsecamente instável e poder dar origem ao espaço, tempo e mesmo às leis da física conforme as conhecemos. Curiosamente, o que temos vindo a descobrir sobre o Universo tem vindo a sustentar esta hipótese.

Lentamente, o vazio de conhecimento vai sendo preenchido e a necessidade de Divindade(s) esvaziando-se.

A importância da Internet e Redes Sociais

Tudo isto é muito interessante, mas no passado o acesso a esta informação chegava a um grupo muito limitado de pessoas…uma “elite”. Falar de ateísmo era uma raridade na comunicação social tradicional (e talvez ainda seja).

Podemos dizer que os primeiros a abrir essa brecha foram grandes comunicadores de ciência e filosofia como Bertrand Russell, Richard Feynman e Carl Sagan. Personalidades intemporais que ainda hoje vale a pena ler e ouvir.

Com a chegada da Internet tudo mudou. A propagação do conhecimento ficou muito mais facilitada. A criação do movimento dos Novos Ateístas no início da década de 2000, encabeçados pelos Quatro Cavaleiros do Apocalipse (Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens) permitiu uma maior disseminação do ateísmo e, mais importante, falar sobre religião deixou de ser tabu. Dos debates mais interessantes que se desenrolam hoje em dia é exatamente sobre este tema.

Ouvir e ler Neil Degrasse Tyson, Matt Dillahunty, Bill Maher, Lawrence Krauss, entre dezenas de outras pessoas, que considero serem das mentes mais esclarecidas que já existiram é, de facto, um privilégio. E só posso agradecer à religião por isso.

E Aqui, Queria Deixar um Repto aos Teístas

Não precisam de abandonar a religião para conseguirem apreciar Carl Sagan e os livros CosmosThe Demon-Haunted World. O livro The Selfish Gene do Dawkins, votado como o livro de ciência mais inspirador de todos os tempos. Apreciar a beleza do Bertrand Russel Teapot Analogy.  A beleza do artigo de Feyman sobre as terapias alternativas, Cargo Cult Science. O Podcast do Sam Harris, onde algumas das conversas mais interessantes têm tido lugar sobre a moralidade, a religião e a condição humana. Praticamente nenhum deles fez do ateísmo ou da promoção do secularismo o centro da sua vida profissional.

Mais importante, não precisam de abandonar a religião para valorizar a ciência. É um erro muito comum dos fundamentalistas que, como explicado acima, tentam de forma completamente desnecessária impor uma visão do mundo errada apenas para defender a crença. Este fundamentalismo será uma das razões do atraso social e científico da comunidade islâmica, em particular.  Para quem não sabe, existiu a Idade do Ouro Islâmica, entre 700 e 1300. Época de grandes descobrimentos nas diferentes áreas da ciência, muitos dos quais ainda utilizamos hoje em dia. Mas esta “época dourada” teve um fim e várias razões foram dadas para o declínio do progresso científico. Um desses argumentos foi a influência do filósofo islâmico al-Ghazali, que levou ao crescendo o misticismo e à demonização da ciência, que supostamente iria contra os pressupostos islâmicos. Ou seja, o retorno do fundamentalismo religioso.

Uma das provas que é possível ser religioso e defender a ciência é verificar a proporção de prémios Nobel atribuídos a Judeus. Por exemplo, a comunidade islâmica representa cerca de 20% da população mundial e 9 Prémios Nobel foram atribuídos a pessoas que se identificam com essa religião. No entanto, a comunidade judaica representa 0.02% da população mundial e ganhou 187 Prémios Nobel. É o grupo que mais Prémios Nobel arrecadou. Estão imensamente sobre-representados. Sabendo que correlação não implica causalidade, é importante assinalar que (1) as religiões não são todas iguais e (2) é possível lutar pelo progresso científico independentemente da religião.

Descobrir a Filosofia, graças à Religião

Assumo que nem tudo é mau na religião. Por exemplo, existe o argumento que as pessoas religiosas tendem a viver mais tempo. Não me chocaria que isso fosse verdade, já que as pessoas religiosas tendem a socializar mais e a terem uma comunidade que presta apoio em tempos de necessidade. E está mais do que demonstrado que um bom suporte social é fundamental para uma vida mais longa e com mais saúde. No entanto, parece que os mesmos benefícios são possíveis de obter em comunidades de Yoga ou Crossfit, não sendo o componente religioso uma obrigatoriedade. Além disso, existem diferenças acentuadas na esperança de vida das várias religiões. Quando existe uma estratificação, apenas os Judeus parecem ter uma esperança de vida superior aos ateus:

religiao e longevidade

Uma das coisas boas da religião é o fomento do debate filosófico que tem atravessado séculos sobre a existência ou não de Deus e sobre a Moralidade. E posso agradecer à religião o meu maior reconhecimento pela Filosofia, como pilar essencial do desenvolvimento da sociedade. Como instrumento de organização do pensamento.

Para quem não gosta de livros pesados, aconselho a ver os PBS Crashcourse sobre Filosofia. Na área da Religião, aborda todos os grandes argumentos a favor da existência de Deus, assim como a sua contraposição, de uma forma moderada: o Anselmo e o Argumento Ontológico, Aquinas e o Argumento Cosmológico, o Argumento do Design Inteligente (Argumento Teleológico)A Aposta de Pascal. Para quem quiser aprofundar o tema, o Canal Rationality Rules aborda estes e outros argumentos a favor da existência de Deus.

Na área da Moralidade também o PBS Crashcourse sobre Filosofia é um bom início, abordando as diferentes teorias sobre a moralidade: A Teoria do Comando Divino, a Teoria da Lei Natural, os Imperativos Categóricos de Kant, o Utilitarismo e o Contratualismo, entre outros.

Também graças à religião fiquei a conhecer os Grandes Pensadores do Iluminismo, que foram em muito responsáveis pela evolução da condição humana e da estrutura social em que vivemos. Por ordem cronológica: Thomas Hobbes, John Locke, Montesquieu, Jean-Jacques Rousseau e Voltaire. Estas personagens históricas foram cruciais para o Estabelecimento dos Direitos Humanos, o Fim da Monarquia Absolutista, o o Princípio da Separação de Poderes e para a criação de Estados Seculares.

Há algo que a religião tem que o ateísmo não tem…

Existe, neste momento, um problema grave com o ateísmo. Alguns ateus têm dificuldade em aceitar a condição humana com algo temporário. Nascemos, vivemos e morremos. É isto e não mais do que isto. Ainda se junta a dificuldade de aceitar que não somos especiais e que não existe nenhum propósito divino para a nossa existência. Somos produto do acaso…de biliões de anos de mutações e seleção natural. É uma visão niilista da condição humana.

Podemos olhar para estes factos de forma positiva ou negativa. Ficar deprimidos com a nossa existência finita ou perceber o quão especial somos apenas por existirmos. A probabilidade de eu estar aqui, a dissertar sobre este tema, é próxima de zero. Seja como espécie, seja como um membro da espécie humana. E ainda com o privilégio de ter nascido num país desenvolvido com qualidade de vida que me permite viver muito tempo e com saúde e que disponibiliza experiências que eram impossíveis há 50 anos atrás.

A religião preenche este vazio existencialista…a necessidade de acreditar que há algo mais do que isto. A imortalidade da alma e uma vida com significado, nem que seja repleta de sofrimento. E será talvez por essa razão que mesmo as pessoas não afiliadas à religião tendem a manter a sua espiritualidade, demonstrada de outras formas e com a criação de outro tipo de comunidades. Infelizmente, destas comunidades saem também os “naturalistas” e os promotores de terapias alternativas.

Um Argumento que Não Faz Sentido…

Escolhi este comentário porque resume bem a posição de alguns “céticos” do ceticismo e do neo-ateísmo.

neoateus e ceticos

Vamos esquecer o facto deste comentário ter sido publicado por alguém que estuda e publica artigos na área da Astrologia. Não Astronomia…Astrologia…sim, a cena dos signos. Ou seja, faz ciência a brincar. É natural que ache os céticos fundamentalistas, já que não têm uma “mente aberta”. Aquela conversa habitual de encher chouriço.

No entanto, o que é o fundamentalismo? O fundamentalismo significa a existência de uma rigidez à mudança…ao abandono de crenças por mais erradas que estejam, mesmo perante evidências avassaladoras. É um paradoxo ser cético e ao mesmo tempo fundamentalista, já que o ceticismo parte do princípio que os factos ordenam as crenças. Se os factos mudam, as crenças mudam. E a única forma de um neo-ateu ser considerado fundamentalista seria perante a evidência irrefutável da existência de Deus, negar a sua existência.

Sobre o primeiro ponto. Sim…é fácil, quando se fala com um cético que as pessoas se sintam estúpidas e ignorantes…porque na maior parte das vezes, são. É a realidade fria e crua. Nestes discussões, os “ignorantes” tendem a discutir temas científicos como se estivessem em pé de igualdade, quando não têm os instrumentos nem o conhecimento para tal. E entramos no”Dunning-Krugerismo“. Resta a estas pessoas acusar o cético de arrogância, quando o próprio não teve a humildade de assumir a sua ignorância.

Os crentes religiosos tendem a achar que os ateus são ateus porque desconhecem a religião. No entanto, isso não é verdade. Muitos ateus chegam ao ateísmo pelo estudo aprofundado da religião e, obviamente, através da lógica e da razão. A Pew Research fez um questionário e descobriu que os ateus eram o grupo que mais sabia sobre religião:

questionario conhecimento religioso

Quem é o arrogante?

Também é típico de pessoas como o autor deste comentário, que tendem a ignorar a evidência, refugiarem-se no ataque à ciência como método. Não o ataque aos factos apresentados que derivam da aplicação do método, mas ao método em si e às suas limitações.

O método científico não é perfeito e tende apenas a apresentar resultados que carecem de interpretação num contexto mais alargado. E, como falei acima, existem assuntos que não são da ciência, mas da área da ética e filosofia. No entanto, é o melhor método que temos para descrever a realidade. Acredito que o autor se sinta “menorizado” a discutir com céticos, já que discutir Astrologia não é propriamente um bom ponto de partida e que pode ser refutado cientificamente, filosoficamente e historicamente.

O segundo ponto é sobre a ridicularização dos defensores de teorias absurdas. Quando há teorias refutadas há décadas ou mesmo séculos, quando aparecem defensores dessas teorias na sua versão original ou ligeiramente alterada serão, obviamente, ridicularizados. A ciência está estabelecida. A teoria refutada. O que nos resta é a comédia como mecanismo de defesa para os argumentos dos criacionistas ou dos astrólogos, por exemplo. É fácil um neo-ateu ridicularizar um criacionista que continua a defender que viemos do barro, a Terra é plana, tem 6000 anos e no passado convivemos com os dinossauros. Para além de que existe uma superioridade factual nas posições assumidas. Uma é verdadeira e a outra não.

Também é comum os defensores de treta recorrerem a Feyeraband já que ele era um anarquista da ciência, dizendo que as pessoas poderiam utilizar diferentes métodos para descobrir a verdade e que o “mercado” se encarregaria de eliminar as teorias que não prestassem…uma visão altamente ingénua da sociedade e das nossas limitações cognitivas. Sobre Feyeraband e o manifesto anti-astrologia, aconselho a leitura deste artigo, apesar de não concordar com alguns dos seus pressupostos.

Sobre as acusações a Richard Dawkins e Neil deGrasse Tyson, o autor deixa este artigo como exemplo, denominado “NEIL DEGRASSE TYSON IS A BLACK HOLE, SUCKING THE FUN OUT OF THE UNIVERSE“. Parafraseando, o Neil é um buraco negro que acaba com a beleza do Universo. O artigo apresenta dois argumentos, (1) o facto do Neil usar truísmos (banalidades científicas) para comunicar ciência e (2) uma visão demasiado científica do Universo nos deixa sem capacidade de apreciar a beleza do mesmo.

Quanto ao primeiro ponto, é verdade. O Neil comete esse “erro” que eu não considero um erro porque consegue entusiasmar plateias com estas verdades banais. E entusiasmar as pessoas sobre ciência não é fácil.

Quanto ao segundo ponto, é uma acusação frequente tanto aos céticos como aos ateus, que já tinha sido feita no passado a Feynman e que respondeu da seguinte forma:

“Eu tenho um amigo que é artista e às vezes tem uma opinião com a qual não concordo muito bem. Ele levanta uma flor e diz “olha como é bonito”, e eu concordo. Então ele diz: “Eu, como artista, posso ver como isto é bonito, mas tu, como cientista, desmonta tudo isto e torna-se uma coisa maçadora”, e acho que ele é meio maluco. Primeiro de tudo, a beleza que ele vê está disponível para outras pessoas e para mim também, acredito. Embora eu possa não ser tão refinado esteticamente como ele é…Eu posso apreciar a beleza de uma flor. Ao mesmo tempo, vejo muito mais sobre a flor do que ele vê. Eu posso imaginar as células e as ações complicadas lá dentro, que também têm uma beleza. Quero dizer, não é apenas beleza nessa dimensão, a um centímetro; também há beleza em dimensões menores, a estrutura interna e também os processos. O facto das cores da flor terem evoluído para atrair insetos para polinizá-la é interessante; isso significa que os insetos podem ver a cor. Acrescenta uma pergunta: esse sentido estético também existe nas formas inferiores? Porque isso é estético? Todos os tipos de questões interessantes que derivam do conhecimento da ciência apenas acrescentam à excitação, ao mistério e ao temor de uma flor. Apenas adiciona. Eu não entendo como isso subtrai.”

Sobre religião, é também verdade que perder uma entidade divina na qual nos podemos refugiar, cria os conflitos existenciais abordados anteriormente e cria o desconforto do desconhecimento….mas não será a busca da verdade e do desconhecido muito mais excitante do que aceitar acriticamente um Ser que tudo criou?

Para terminar, fica um dos melhores vídeos de Christopher Hitchens:

 
 

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Dr. João Júlio Cerqueira

Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar